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Postado no blog: www.valcazaras.zip.net ou
www.valcazarasaldente.blogspot.com/
BLOG²
No colégio, em Itapeva, sempre tinha uma crise para a pergunta: “o que você vai ser quando crescer?”. Eu ficava acompanhando as respostas dos alunos, fileira por fileira, vendo se aproximar a minha vez. Ia ficando quente, nervoso, a minha cabeça parecia que ia explodir. Os pensamentos passavam com muita velocidade e, minha ética de não querer mentir, me punha em apuros e por querer ser sincero eu sofria.
Pois eu não sabia a resposta!
Quando criança, escrevi uma poesia num tempo que eu nem sei se sabia o que era mesmo uma poesia. Ao receber um elogio, senti pela primeira vez um prazer até então desconhecido: reconhecimento!
No colégio fiquei surpreso quando num livro de português veio uma página em branco com uma legenda – Escreva, rabisque, faça o que quiser!!
Descobri o prazer da escrita direta, escrever, escrever.... mas “a mão”, meu sonho era uma máquina portátil. Já em São Paulo, consegui uma com a minha namorada, ainda com letras itálicas. Mergulhei no concretismo ao conhecer a poesia de Ferreira Gullar, achei que o que antes havia escrito era muito careta, coloquei tudo numa caixa e etiquetei: “EX-POETA”.
Como os rituais são feitos de movimentos cíclicos essa história não acaba aqui.
Comecei na verdade a escrever este texto para explicar porque resolvi abrir um segundo blog, justamente por causa disso, tudo que escrevo vai virando uma história e, como aprendi com Berta Zemel no início dos anos 80 o sentido de “carpintaria teatral” fico dias trabalhando num texto para iludir o leitor que escrevi tudo de um fôlego só. É isso que acontece nos textos postados no www.valcazaras.zip.net , e quando leitores amigos me cobram assiduidade eu sempre me desculpo criando “outra história”.
Para retornar a essa tenra inconsequência resolvi abrir outro endereço “Al Dente”, nem muito duro... nem muito aferventado.
Por isso dou como aberto o segundo blog: www.valcazarasaldente.blogspot.com/
“Aqui tudo pode, pois é tudo da lei”.
Escrito por valcazaras às 02h33
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O GIGANTE E A BORBOLETA
Nos conhecemos ainda no aeroporto, era um Festival de Teatro na Colômbia. Lembro que naquela época eu usava “mochila” ele se aproximou com um pesado “jaco” verde. Os grupos foram se encontrando para um café enquanto a produção vinha nos buscar.
Um dia escreverei somente sobre este festival, hoje é só o ponto de partida para contar uma história prometida!
Porém, não posso deixar de registrar os encontros nas “calles” com um litro de rum embrulhado em saquinho de mercado!
Eu completamente “borracho”!!!.
Mas foi mesmo em São Paulo que nossos caminhos viriam a se cruzar por diversos momentos. Dividimos muitos trabalhos profissionais e nos acompanhamos em vários momentos pessoais. Daqueles que eu vibrava fortemente para ele superar certas fases e em outras em que ele mostrava sua firmeza para que eu não sucumbisse!
Numas dessas abrimos um velho rum e brindamos lembranças das frias noites de Manizales.
Apesar de nem sempre concordarmos em todo ponto de vista, nunca deixei de admirar a eloqüência e a certeza de como ele defende suas idéias!
Mas, admiração mesmo, não posso negar, é por dois fortes motivos, além de tantos outros. Hoje se a Aline traz meu nome em sua assinatura é por ele ter defendido essa teoria e sobretudo por ter criado um espetáculo para que eu a conhecesse! Por isso vou ser eternamente grato!
Às vezes ficamos tempos sem nos ver, noutras nos encontramos com uma espantosa sincronicidade.
Depois de jogarmos uma espécie de “sudoku” com nossas agendas, conseguimos nos encontrar semana passada.
A força do salmão para subir correntezas transmutava nosso paladar regado a saquê.
Trocamos idéias, tocamos lembranças, perscrutarmos teatro.
Mas o que mais me tocou foram seus olhos, quando falou sobre um alucinógeno natural. Aquele que realmente faz a cabeça, expandindo a consciência de um homem: “a vida”, pulsando na sua frente, através do crescimento de Antônia, sua filha!
O lugar perdeu o ritual quando mesas ao lado resolveram se sentir num restaurante napolitano e através de incômodos ecos etílicos ele se levantou, se despediu com delicadeza e se foi. No outro dia me mandou um gentil e-mail, mas sem saber ele tinha praticado um dos gestos mais significativos de nossa trajetória!
Sob meu ponto de vista você se levanta de um jantar por dois motivos: primeiro para não matar alguém, segundo, como gesto de inteira confiança, porque sabe que é um verdadeiro amigo que está na sua frente!
Continuei ali sorvendo geladas cervejas e flanando pensamentos até aterrissar numa lembrança:
- Cheguei correndo para uma reunião. Ele abriu a porta do seu apartamento e aquela fortaleza de mais de um metro e oitenta, estava totalmente pálida, sem cor nos lábios, os olhos arregalados de terror! Ainda sussurrando me falou: Luiz me ajude!!!! E foi se afastando, petrificado enquanto sua mão apontava para janela.
Movimentos taquicárdicos desfibrilaram meu coração, num segundo tudo passou na minha cabeça: um suicídio na janela, um assalto à mão armada, a materialização de um exu babando sangue. Lentamente virei meus olhos para janela e vi, na minha frente, uma alva cortina escorrendo pela janela.
- Não tem nada ali!!!
E ele levantou sua mão trêmula - ali no meio da cortina!
Aqui não tem nada, só essa borboletinha, mas já voou pela janela.
- Era isso! E irritado emendou:
- Está rindo de quê?
Nada não! Mas prometo que um dia escrevo um conto e já tenho o título!
-Qual?
-“O Gigante e a borboleta” disse eu com cara de escárnio!
Escrito por valcazaras às 15h06
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...Sigo o Fluxo! O fluxo do Vento!
No aeroporto de Londrina a produção e os atores já me esperavam... problemas a vista! Fui levado direto para o teatro.
A concepção original da peça “Então é assim!”, uma releitura de “Entre quatro paredes” de Sartre, foi uma instalação dentro do Museu de Arte em que a cenografia, contendo 800 kg de cacos de vidro, dialogava com a arquitetura do museu. Era nessa instalação aberta ao público, que a noite, os atores encenavam, moendo com grossos coturnos cacos de vidro/memórias que não poderiam mais juntar-se. Houve problemas na adaptação para a Casa de Cultura e em 5 horas o espetáculo iria começar. Respirei fundo, mas em vez de preocupação um leve sorriso apareceu no canto da boca: eu estava de volta!!!!!! Orientando os técnicos, observei por entre o pano da rotunda os atores entrando para o aquecimento... Junto com aquele suor verteria um espetáculo cauteloso, que no outro dia se transformaria em “preciso”.
Belos atores carregados de uma vontade absurda, vivendo numa Londrina que pulsa teatro.
Escrito por valcazaras às 03h37
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ENCONTRO ENCONTROS

Acordo?
Sei que o sol já entrava, na manhã fria, pelas cortinas entreabertas. Entre fusos, fragmentos de sono e resto de uma embriagada madrugada, desço pelo panorâmico elevador do hotel Bristol em busca de um café.
De repente fico parado no meio do salão, enquanto tudo ao meu redor parecia desfragmentar.
Sentado à mesa, ao lado da coluna... Um homem de teatro: Eugênio Barba.
Nitis Jacon me chamou e enquanto me apresentava como diretor paulista que desenvolvia um trabalho de grupo em Londrina... Minhas lembranças se dilatavam e foi buscar guardado no meio dos meus arquivos, uma pasta antiga com o elástico arrebentado. Ali estavam amarelados recortes de jornais, anotações de ilhas flutuantes, grifos no secreto manual do ator.
O homem que mudou naquele tempo meus paradigmas sobre o teatro estava ali, sorrindo com a mão estendida...
Corte/Câmera em movimento/dia
Trilha: Fusão/ música oriental, tcheca e dinamarquesa.
Cenas de vários encontros durante o festival:
Caminhando no calçadão com atores do Odin/ almoço no restaurante reservado para os grupos / dentro da van indo para o teatro/ na platéia de Andersen´s Dream/sentados na praça diante da concha acústica.
Áudio em português na voz de Eugênio Barba.
“Nosso trabalho é como um cavalo cego que corre como num precipício dentro de nós e nos impulsiona para frente. São as forças obscuras que vivem dentro de nós.”
Quando a gente encontra alguém que é aficionado por seu ofício e fala com propriedade de quem cria sua própria história, o ouvir passa a ter uma outra dimensão.
Barba, ainda jovem, saia da Itália achando que estava partindo para uma viagem de aventuras, mas em verdade estava sendo pelo destino, tragado por um dragão/baleia que o vomitaria mais tarde, entre vísceras de sapiência!
“ODIN” o lendário deus nórdico, senhor da magia, da guerra e dos mortos, foi o ritualístico nome escolhido para seu grupo, formado por pessoas que haviam sido recusadas pelas escolas teatrais. Quem sabe seja este o espírito que faça, depois de anos, em que os estímulos já não são satisfatórios, voltarem ao “processo” para desaprender... para descontruir... criar e recriar uma nova dinâmica entre as relações, vivenciando 40 anos de sentidos, tatuando na carne a experiência de uma cultura teatral própria. Em constantes questionamentos, hoje se dão conta que estão submetidos no teatro às mesmas leis naturais da vida. Pode existir a continuidade do pensamento, podem surgir novos grupos e uma mesma necessidade... mas não será o ODIN, porque ele não é um edifício ou um método... é um GRUPO. Pessoas que se juntaram e decidiram viver a vida dessa maneira... O ODIN morre com seus atores.
A vibração destes significados ecoava na minha cabeça enquanto andava pelas ruas de Londrina. Ao chegar à praça, me deparo com um acontecimento ímpar, eu encontro: encontros!
A arte genuína vinha deslizando sobre o vento que soprava, esvoaçando cabelos de artistas, estudantes de teatro, mestres, transeuntes e pêlos de atentos cachorros de rua.
Em noturnas conversas e claros encontros, os Grupos: ODIN (Dinamarca), Farm in The Cave (República Tcheca), Shinjyuku Ryozampaku (Japão), resolveram trocar experiências com o cotidiano Londrinense, e em baixo da concha acústica sob pombas que voavam para pernoitar no parque, conceberam um happening. Tocavam e cantavam em festa, traziam os jovens a dançar sobre o palco, corriam para o público pulando pelos bancos sem perder a melodia. Com música alegria e dança, uniram três grupos, três mundos num encontro de inter-relação... Formando um quarto grupo/instante na cidade. Encontros que podem ser lidos como uma poesia efêmera, mas não se nega a profundidade absurda, que como as pinturas de areia feito nas montanhas tibetanas... Serão levadas pelo vento, mas nunca se apagarão da nossa memória.
Corte/flash-back/ interior/luz do dia
Trilha/tambores orientais, acordeões tchecos e dinamarqueses.
Hotel.
Sorrindo, de mão estendida... estava o senhor, que tempos atrás, mudou meus paradigmas sobre o teatro...
Estendo a minha e o cumprimento... Sem saber se o encontraria de novo.
O gosto do café forte me põe atento, estou firme. Minhas palavras de tornam precisas.
Encontro!
Levanto para ser fotografado.
Neste dado momento a porta de vidro se abre. Olho para as mesas. Os guardanapos estão tremulando como se fossem bandeiras ou brancos pombos levantando vôo ou roupas estendidas em longos varais... ou prenunciando que era chegado o momento... pois o vento estava novamente... me chamando.

Escrito por valcazaras às 03h36
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Desde Janeiro estou preparando para o segundo semestre uma releitura de “Fausto”.
A maioria dos atores não quer mais “processo”.... e o que sobra? Foi isso que me fez desistir de alguns projetos no primeiro semestre. Conversando com Antunes filho ele me disse: Luiz vai viajar, vai pra fora!!!!
Foi a palavra certa no momento certo, e em 3 dias resolvi tudo, no quinto estava ao “vento” e assim segui em viagem.....ele decidiria onde eu deveria ir....
Seguindo o fluxo ele me levou para Portugal, Barcelona, Roma! Vi muito, muito teatro, mas não posso deixar de falar da tecnologia de “Um Conto Americano” de David Mamet no Teatro Nacional D.Maria II, a encenação de Maria Emília Correia é fascinante, mas continuava a minha questão “o que sobra”?
Foi num monólogo de João Lagarto que comecei a puxar o fio. Em “Começar a Acabar” de Samuel Becktt a resposta começava a respirar.
Então fui procurar a companhia “CHAPITÓ”, situada na Costa do Castelo em Lisboa, um espaço pluridisciplinar, completando 26 anos, onde se desenvolvem atividades em três áreas distintas: Ação Social, Formação e Cultura. Com o propósito de comunicar um teatro dos sentidos, que sintetiza as várias artes, de provocação e compromisso com o presente. Desde sua formação em 96, produziu 25 criações originais, apresentando tanto em Portugal como na Europa, América do Sul, Médio e Extremo Oriente. Foi importante encontrar um teatro que não abre mão da sua condição de arte. Comecei novamente a encontrar parceiros e anseios... assim, o vento soprou pra Catalunia!
Em Barcelona encontrei Raquel Gomes, uma atriz que foi aluna em 1992. Raquel ainda mantinha viva as minhas aspirações e inspirações. Foi bom me rever através de seus olhos e lembranças. Com ela conheci Ferram um jornalista catalão que tem uma linda particularidade: herdou do pai uma biblioteca de três andares. Por aquelas salas me vi conectado com a história de um homem que dedicou a vida a amar livros... e conhecimento.
Não pude deixar de associar o trabalho sobre “Fausto” que venho desenvolvendo em São Paulo e busquei o que Fernando Pessoa escreveu. Ferram, também crítico de teatro, tinha sido ator em tempos remotos. Desse encontro, cafés e sangria... um projeto começou a nascer...e dirigi uma leitura no que poderá vir a ser um futuro espetáculo.
O vento não parou, soprando dos livros poeiras adormecidas para o porão gótico da grande Biblioteca da Catalunya. Diante de mim sobre a terra espalhada pelo chão vi uma “Antígona” dirigida por Oriol Brogui. Se esta era a resposta a minha questão, ou se a viagem tivesse como princípio alterar minha consciência para meu ofício... estava feito....poderia voltar, e o vento teria cumprido sua missão.
Mas ele não quis! Queria me mostrar algo mais...
Minha necessidade de acreditar numa arte de continuidade não saiu ileso ao deparar com a obra visionária de Gaudi, a natureza pulsando em projetos que ainda estão vivos.... em movimento crescente.
Agora o vento deslizava por frestas na historia, e como o hálito que sopra civilizações, me impulsionou para a “Cidade Eterna”.
Acordei em Roma, ciceroneado pelo artista plástico Fabrizio Dell´Arno. Agora a poeira se materializava em textura e seu ateliê foi transformado no meu quarto.
Entre vinhos, antepastos, sensibilidade e... raxixe, passamos madrugadas... discorrendo sobre religiosidade e o humano plasmado em suas telas.
Fontana de Trevi, Pantheon, Coliseu, Templo de Saturno, no Fórum Romano.
Eu não andava por ruas, monumentos, vielas... eu tocava com os pés a história. E meus simples olhos eram tocados pela amplitude da palavra “Beleza”.
Era Michelangelo me mostrando como o infinito pode se apresentar para nós, materializando sua máscara em formas estéticas.
Sentindo o místico poder das colunas salomonicas levadas para dentro da Basílica de San Pietro in Vaticano,de repente, a figura da morte flutuando sobre uma porta me fez parar por algum tempo, era a sala onde se fecha a força do clero, dali só se pode sair quando se nomeia o próximo Papa. Quanto tempo isso poderia durar? Quais as discussões ali se estabelecem? Qual jogo de poder? Estaria ali a ganância do “Senhor dos Anéis”? Segundo a máxima Sartreana o “Inferno” estaria dentro do Vaticano?. Se forem os outros, todos ali, estariam fechados “Entre Quatro Paredes”.
Era o vento novamente me chamando.... acabou o tempo! A releitura que fiz da peça de Sartre, foi escolhida para o Festival de Teatro de Londrina. Era hora de voltar.
Sigo o Fluxo! O fluxo do Vento!
Escrito por valcazaras às 01h25
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O inferno segundo Sartre – Direção Luiz Valcazaras |
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"ENTÃO É ASSIM"
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O espetáculo “Então é assim!”, em cartaz nos dias 13, 14 e 15 no FILO, tem como tema um inferno metafórico, a partir da visão do filósofo francês Jean-Paul Sartre. A questão das relações humanas e o existencialismo, que permeiam toda a obra de Sartre e também estão presentes em uma de suas peças mais famosas _ “Entre quatro paredes” -, inspiraram o grupo londrinense Criando a Liberdade, dirigido por Luiz Valcazaras.
“Entre quatro paredes” é um texto dramatúrgico que aborda os conflitos e impasses das relações humanas e que originou a célebre frase: “O inferno são os outros”. A peça está ligada diretamente à corrente existencialista que, entre outros aspectos, afirma que o homem é autor de sua própria existência.
Com esse projeto o grupo recebeu, recentemente, patrocínio do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz (ligado ao Ministério da Cultura), além de ter o patrocínio do Promic – Programa Municipal de Incentivo à Cultura.
O cenário é um dos elementos mais impressionantes da montagem. Os atores andam sobre um “tapete” de cacos de vidro, sem poder dormir nem descansar. Nisto consiste um dos aspectos mais terríveis do inferno, onde todos permanecem presos às suas próprias culpas e emoções, numa metáfora do que se desenrola nas consciências que abrigam o inferno de cada um.
Grupo londrinense, diretor paulistano
O grupo Criando a Liberdade existe desde 2004, quando começou a desenvolver projetos de criação teatral dentro da Penitenciária Estadual de Londrina - PEL - patrocinado pelo Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura). Com o espetáculo, “Então é assim!”, o grupo recebeu mais um patrocínio: o Prêmio Funarte de Teatro Myrian Muniz. Na direção está o paulistano Luiz Valcazaras, convidado especialmente para essa adaptação de “Entre quatro paredes”. Valcazaras tem em seu currículo a fundação do N.I.T.E. (Núcleo de Investigação Teatral) em São Paulo, desde 1997, que, hoje, também possui em Londrina uma extensão. Ele também fez o texto e a direção de “Anjo Duro” (Prêmio APCA de Melhor Atriz para Berta Zemel), além de ter dirigido “Dança lenta no local do crime” de Hanley; “Abre as asas sobre nós” (Prêmio Shell de 2006 de Melhor Texto para Sérgio Roveri); “Fando e Lis” de Arrabal (montado em Londrina pelo grupo Boca de Baco), e “Esvaziamento”, de Beatriz Gonçalves, em cartaz no Espaço Satyros, em São Paulo.
Exposição e cenário
Na Casa de Cultura da UEL, após as apresentações, o público também poderá conhecer o cenário de perto e até mesmo experimentar objetos utilizados em cena, como as botas com as quais os atores andam sobre cacos de vidro. A idéia, segundo o grupo, é proporcionar ao público as mesmas sensações do elenco durante o espetáculo.
Ficha Técnica:
“Então é Assim!” Direção: Luiz Valcazaras Assistente de Direção: Edna Aguiar Elenco: Ana Sardinha, Apollo Theodoro, Ed Sombrio e Letícia Ferreira Iluminação/criação: Luiz Valcazaras Trilha Sonora/criação: Emílio Carlos (Mizão) e Sassá Cenografia: Luiz Valcazaras Figurino: Luiz Valcazaras Fotografia: Paulinha Berehulka Contra-regra: Heuller de Almeida Produção: O grupo Realização: O grupo
Serviço: Espetáculo: Então é Assim! Companhia: Criando a Liberdade Cidade: Londrina (PR) Direção: Luiz Valcazaras Dias: 13 e 14 de junho |
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Escrito por valcazaras às 00h53
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Letras Em Cena
entrevista com Luiz Valcazaras
Grande Auditório do MASP
Por Clóvis Tôrres
Luiz Valcazaras é diretor teatral, dramaturgo e agitador cultural. Atualmente em cartaz no teatro Satyros II, com o espetáculo "Abre as Asas Sobre Nós" de Sérgio Roveri. Ano passado dirigiu "Dança Lenta no Local do Crime", indicação para o prêmio Shell de melhor ator. Escreveu e dirigiu "Anjo Duro", com Berta Zemel, prêmio APCA 2000. Fundou o N.I.Te. (Núcleo de investigação Teatral) em São Paulo e implantou uma extensão em Londrina/PR.

LUIZ VALCAZARAS: essencialmente um criador
Inquieto, sempre envolvido com projetos e sonhos, ele é um apaixonado pelo teatro: autor, diretor e agitador cultural, ele fala ao LETRAS EM CENA. Confira a entrevista e conheça um pouco mais deste criador.
Letras Em Cena: Quando você percebeu que seria diretor, um homem de teatro?
Luiz Valcazaras: Eu sempre digo que um bom ator tem que ter um equilíbrio entre prazer e responsabilidade, eu comecei trabalhando como ator, mas me cobrava tanto, que a responsabilidade era maior que o prazer. Ao dirigir, senti que estas duas forças se harmonizavam.
Letras: O que mais lhe agrada no trabalho artístico e o que mais lhe preocupa ou o deixa insatisfeito nesta profissão?
Luiz: Com esta pergunta, eu poderia discorrer muito sobre a linha conceitual, sobre o coletivo na criação ou sobre a característica social de nossa arte, mas indo direto ao ponto, o que me agrada é sala de ensaio. O que me preocupa é entrada do público e o que me deixa satisfeito é B.O. final.
Letras: Como você "escolhe" os trabalhos que dirige? Pelo tema, elenco, produção, idéia, ou tudo junto? (risos)
Luiz: Uma vez a Mariângela Alves de Lima escreveu que não deveríamos procurar "o que montar", mas sim o que a gente "quer dizer" e eu me pautei por isto por um bom tempo, depois me surgiu uma outra inquietação como diretor: Quando lia um texto eu pensava em "como" dizer. Ultimamente, quando me encanto com um artista, fico estudando todo um universo para contextualizar aquele iluminado dentro de um projeto que eu pudesse dirigir (risos).
Letras: Qual seu ponto de partida para escrever? A idéia? Imagem, mensagem? Qual é a inquietação?
Luiz: A alma. Na verdade, eu sempre escrevi por necessidade prática, ou seja, num processo de criação, nem sempre o dramaturgo podia acompanhar todas as etapas da investigação e como trabalho no sentido de estimular os "insights" dentro da sala de ensaio, acabava compondo a cena e determinando o texto.
Letras: Quais são seus dramaturgos preferidos, clássicos e contemporâneos?
Luiz: Eu não me considero um diretor fiel a "dramaturgos", eu sou essencialmente um criador, quanto mais liberdade de releitura tiver, melhor. Assim sendo, como perscrutar a alma do ser humano me é compulsivo, sempre re-visito os gregos, sonho com Shakespeare e me enclausuro com Beckett. Ultimamente me saboreei com Joyce, ao ser convidado para dirigir a leitura de "Exilados" no Letras em Cena. Além dos preferidos tem também "os queridos", que são companheiros de uma mesma viagem como Sérgio Roveri, Renata Mizrahi, Marcos Losnak, enfim.
Letras: Nos últimos tempos, a leitura dramática vem ganhando mais espaço. São projetos, ciclos, leituras espontâneas e informais, discussões, etc. Alguns dizem que isto é sinal dos tempos ("já que não temos dinheiro pra montar, lemos"). Outros acreditam que é um espaço enriquecedor de idéias, de incentivo a novos dramaturgos, de formação de platéias, etc. ("é bom para discutir as idéias e testar a dramaturgia"). Qual sua avaliação?
Luiz: Eu compactuo com a segunda versão, o lugar de texto dramatúrgico definitivamente não é a estante!
Letras: Qual o poder do teatro na sociedade atual?
Luiz: Olha, vou responder de um ponto de vista muito particular. Existe uma linha da psicologia que diz que a depressão não é um mal pessoal e sim um mal social, porque tudo converge para que o homem continue se afastando do seu imaginário. Desta forma, acho que o teatro tem um forte e vital poder, principalmente na vida metropolitana, de amalgamar o que está "separado" (esquiz(o)) do profundo da "alma" (frenia).
Letras: O público realmente está sumindo dos teatros, ou esta "crise" é apenas momentânea?
Luiz: Não acredito em "crise", acredito em segmentação, você pode fazer uma "espetaculização" de entretenimento como uma ritualização para iniciados, ou ainda, existem aqueles que montam roubadas homéricas para otários (tanto para público como para patrocinadores!).
Letras: Já utilizou a Lei Rouanet em algum trabalho?
Luiz: Sim, sem contar que para alguns editais ela é regra básica!
Letras: Que avaliação você faz do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo?
Luiz: Muita cautela é o que eu diria! Não podemos ser simplistas e retroceder em conquistas alcançadas, mas também temos que ter a coragem para não estancar os ouvidos para críticas de projetos fomentados, gerando amadurecimento e uma adequação dentro da nossa realidade, afinal, como dizia Rubens Corrêa, moramos num bizarro país sul-americano.
Letras: Se lhe fosse solicitada uma idéia sobre a elaboração de uma lei de incentivos fiscais para a cidade, o Estado ou o Brasil, o que diria?
Luiz: De uma maneira abrangente, eu analisaria melhor os projetos implantados e sua funcionalidade, me aconselharia com Luciano Bitencourt (Secretário de Cultura de Londrina) sobre a experiência do "fundo de cultura" que tem se mostrado uma forma eficiente para o tratamento de incentivos fiscais sem o risco de mercantilização do processo artístico!
De uma maneira particular (risos), eu criaria uma lei que estacionamentos que funcionassem dentro de um espaço de 150 metros do teatro, teriam que destinar uma porcentagem para a produção em cartaz, afinal de contas, às vezes, eles cobram quase o preço do ingresso e empregam apenas uma pessoa!
Letras: Você tem acompanhado ativamente a produção teatral de São Paulo nos últimos anos. Que análise faz do atual momento teatral na cidade?
Luiz: Vou contra a corrente dos reclamadores de plantão, eu acho um bom momento, temos oportunidade de assistir o Grupo Lume e Antunes ao mesmo tempo em que o Sesc trás de Russos a Brook. Temos musicais da Broadway (com o direito democrático da opção) a Cauby com Vilella.
Assim, peço que "Abram as Asas Sobre Nós" porque temos fantasticamente a efervescência da praça de Ivam Roosevelt...
com Rodolfos, Loureiros Marios Possolos.
Temos a encenação de Fofos e Johanas como há de Tolentinos Garolis Heineks Fonsecas.
Temos a Louca de Cortez, Florestas de Medeiros e Crimes de Aurélio
Como temos luzes sapiens de Fadeis Chapiras e Toscanos momentos.
Enfim... estou valcazarianamente feliz!
http://www.letrasemcena.art.br/entrevistas_luiz.asp
Escrito por valcazaras às 22h51
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ABRE AS ASAS...LONDRINA
ABRE AS ASAS...LONDRINA
http://
Categoria: Link
Escrito por valcazaras às 23h51
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“Abre as Asas Sobre Nós”
Direção Luiz Valcazaras
FOLHA DE LONDRINA - 24 06 2007
“Apesar das intempéries, o mais antigo evento teatral da América Latina fecha as cortinas mostrando robustez”
...Luiz Valcazaras também arrastou gente que até foi para porta do teatro camelar ingressos para “Abre as Asas...”. Com um jeito Tarantino de contar uma boa história, inspirada num conto de Drauzio Varella, Valcazaras justificou, a adaptação de Sérgio Roveri, premiada com o Shell de Melhor texto. Não merecia menos do que isso porque o que assistimos foi capaz de nos deixar com a respiração presa durante uma hora de duração da peça.
Francismar Lemes
GAZETA DO POVO – CURITIBA – 19 06 07
...A celebração tomou a forma do espetáculo Pequenos Milagres , que elevou a qualidade da programação do Festival Internacional de Londrina neste fim de semana – em companhia da peça Abre as asas sobre Nós” dirigida por Luiz Valcazaras.
Luciana Romagnolli
FOLHA DE LONDRINA – 15 06 07
...Ao despir mais uma vez a realidade, como já fez em peças premiadas, entre as quais “Anjo Duro”, que rendeu a Berta Zemel o Prêmio A.P.C.A, espetáculo que já foi apresentado no Filo, e uma indicação ao Shel de Melhor Ator em “Dança Lenta no Loca do Crime” , Valcazaras consegue criar alma, que anima personagens que estão em texto, a exemplo de “Abre as Asas...”, que deu a Sérgio Roveri, o Shel de Melhor autor.
Não é sem razão que a crítica teatral lamenta que Valcazaras também não tenha um Shell pela direção primorosa de “Abre as Asas...” ao implantar o próprio coração no público.
Francismar Lemes
ESTADÃO – CADERNO 2
Dez países levam arte aos palcos de Londrina
...Tem início hoje e vai até o dia 23 o ‘Filo‘ (Festival Internacional de Londrina). São aproximadamente 40 companhias de dez países, incluindo espetáculos inéditos e outros tantos já reconhecidos da cena teatral brasileira. “Abre as Asas sobre Nós”, que rendeu o prêmio de melhor Autor para Sérgio Roveri.
Livia Deodato - Caderno 2 - OESP - 06/06/07
Escrito por valcazaras às 12h53
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vamos abrir com muita afluência!
Escrito por valcazaras às 18h24
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